Atrodese de Coluna Vertebral

Artrodese de coluna (fixação com parafusos e hastes, para fusão da coluna) está indicada para as seguintes situações:

 

1. Escoliose, cifose (desvio de coluna) ou pseudoartrose (falha da calcificação) no adulto, associada a evidência radiológica (tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM)) de instabilidade mecânica ou deformidade da coluna lombar, com falência de tratamento conservador por pelo menos 3 (três) meses;

 

2. Fratura (quebra), deslocamento vertebral (com instabilidade mecânica), ou deslocamento de fragmentos de fratura (podem ter ficado presos), confirmado por estudo de imagem (TC ou RM), que pode ser combinado com laminectomia (cirurgia que corta parte do osso da coluna);

 

3. Infecção de vertebral confirmada por estudos de imagem e/ou outros estudos (ex.: biópsia - retirada cirúrgica de um fragmento), que pode ser combinado com laminectomia (cirurgia que corta parte do osso da coluna);

 

4. Tumor em coluna vertebral confirmado por estudos de imagem (ex.: TC ou RM), que pode ser combinado com laminectomia (cirurgia que corta parte do osso da coluna);

 

5. Espondilolistese graus II a V (escorregamento da vertebra) com instabilidade segmentar confirmada por estudos de imagem (ex.: TC ou RM) e cuja dor não remitiu após 6 meses de tratamento conservador;

 

6. Estenose medular (estreitamento medular) com dor persistente confirmada por estudos de imagem (ex.: TC ou RM), com falência por 3 meses de tratamento conservador, quando uma descompressão for realizada numa área de instabilidade segmentar ou degenerativa ou em que a instabilidade foi criada pela descompressão.

 

Esta afecção é uma consequência de alterações degenerativas (envelhecimento) avançadas como: hipertrofia (deformação) das articulações facetárias, abaulamentos discais, hipertrofia (espessamento) de ligamento amarelo, formações osteofitárias (bicos de papagaio), espondilolistese (escorregamento da vértebra) degenerativa ou uma combinação entre estas.

 

O estreitamento do Canal Lombar é uma condição dolorosa e potencialmente incapacitante acometendo com frequência a população idosa que hoje apresenta um aumento significativo de crescimento em nosso meio.

 

A claudicação neurogênica provocada por esta entidade é a principal causa de comprometimento de mobilidade e perda de independência em idosos.

 

7. Em pacientes com dor lombar crônica não específica (não radicular - sem trajeto do nervo - ou não atribuível a uma condição específica) a cirurgia pode ser considerada (embora seja discutível) naqueles com sintomas persistentes associado à incapacidade física para atividades diárias por pelo menos 1 ano, apesar da realização de intervenções não cirúrgicas.

 

            Complicações:

 

As taxas de complicações estimadas para artrodese são: mortalidade hospitalar (0,2%), infecção de ferida cirúrgica (1,5%), trombose venosa profunda (1,6%), embolia pulmonar (2,2%) e lesão nervosa (2,8%); outras complicações importantes são a pseudoartrose (não união - fusão - do enxerto ósseo) e alterações degenerativas nas vértebras subjacentes a longo prazo.

 

Em seu artigo de revisão, Bono e Lee relataram uma variação na taxa de fusão lombar entre 40% e 89% nas diversas publicações. Há uma dificuldade para avaliar fusão lombar devido à falta de métodos fidedignos. O estado de fusão sólida pode somente ser avaliado por exploração cirúrgica e direta inspeção da massa sólida, entretanto este método é impraticável na prática clínica.

 

Os fatores que influenciam negativamente na não união do enxerto ósseo incluem a idade avançada, o consumo de álcool ou tabagismo e nutrição inadequada. Osteoporose, arteriosclerose com redução de circulação sanguínea e exposição a raios-x são fatores adicionais negativos para a união do enxerto ósseo.

 

            Fatores de Risco:

 

Os fatores de risco podem ser divididos em 3 (três) tipos basicamente. Relacionados ao paciente; ao procedimento cirúrgico e aos cuidados pós-operatórios.

 

Pacientes imuno-comprometidos (baixa resistência) possuem uma chance de evoluir com infecção superior aos pacientes saudáveis. Doenças como o diabetes, artrite reumatóide, câncer e os usuários crônicos de corticosteróides se encontram nesse grupo. Além disso o tabagismo e a obesidade também aumentam a chance de uma infecção pós-operatória.

 

Outro fator que deve ser considerado, principalmente em países em desenvolvimento, é o estatus nutricional. A desnutrição, tanto clinica quanto laboratorial, influencia no potencial de cicatrização e no funcionamento do sistema imunológico.

 

Na outra extremidade o paciente obeso também corre maior risco. A menor vascularização do tecido adiposos e a maior dificuldade técnica durante o procedimento, acarretando em via de acesso maior e tempo cirúrgico, prolongado aumentam a chance desse paciente desenvolver uma infecção pós-operatória.

 

A diabetes, doença muito prevalente, aumenta em 17% a chance de uma complicação pós-operatória sendo que dois terços dessas complicações serão infecciosas.

 

Os fatores de risco relacionados ao procedimento e aos cuidados pós-operatórios são de grande importância no combate às infecções. Uma vez que a maioria dos fatores intrínsecos (próprios) ao paciente não podem ser alterados como a diabetes, a medicina vem buscando incansavelmente melhorar as condições cirúrgicas e os cuidados pós-operatórios para diminuir as taxas de infecção. No entanto, em via de acesso maior e tempo cirúrgico prolongado, aumentam a chance desse paciente desenvolver uma infecção pós-operatória.

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